Dia de Portugal

10 Junho, 2013 — Deixa um comentário

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Hoje é dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas. É um dia que sempre teve um valor sentimental forte para mim. Quando vivia em Macau, o 10 de Junho era vivido como uma celebração, temperada de nostalgia. Mais tarde, quando me mudei para cá, o fervor do dia esmoreceu: afinal, vivia aqui e todos os dias eram de Portugal. Ou melhor, em Portugal.

Quando me mudei para a Argentina, o feriado caía no início do Inverno austral, e as celebrações, contrariamente ao que estava habituada, desenrolavam-se num teatro. A embaixada organizava um concerto com um fadista português, que corria os teatros de Montevideo e Santiago do Chile, na sua tourné sul-americana. A comunidade portuguesa juntava-se naquele dia e aproveitava para levar os seus convidados argentinos. Foi assim que a nossa amiga Gabriela ouviu fado pela primeira vez.

E é também pela primeira vez que vivo este feriado cá em Portugal, depois da minha temporada latino-americana. Pergunto-me qual o significado que irá ter para mim, agora que estou de volta.

Noto que esta festa é mais importante quando estamos longe, com saudades. Quando sentimos a falta da nossa antiga pele, aquela que deixámos para trás, e ganhámos uma nova, ao construir a nossa vida num novo país. Será porque a distância e a diferença nos mostram, com uma certeza que não tínhamos antes, quem somos e de onde viemos?

Será este o mesmo mecanismo que nos mostra, quando integrados noutro ambiente, os aspectos positivos do nosso país? E que nos apresenta os aspectos negativos como oportunidades, como áreas a melhorar, em vez de “fatalidades” ou incontornáveis falhas do nosso carácter nacional?

Talvez tenha sido esse mesmo mecanismo que me fez detestar profundamente uma das frases que mais ouço repetida por nós, portugueses. “Este é o país que temos” é a expressão mais estúpida e mais característica de uma certa mentalidade de vítima que atravessa a psique nacional. Porque, caríssimos leitores, este não é o país que temos; este é o país que fazemos.

E hoje, dia de Portugal, vou celebrar a ideia de que somos nós, vocês e eu, que construímos este país onde queremos viver, ou aonde queremos voltar. E que nós, todos juntos, podemos construir um país do qual nos orgulhemos a todo o momento. Não por ser perfeito, mas por ser feito de gente que tenta, tenta sempre.

E vocês? Como vão celebrar o Dia de Portugal?

(Texto e imagem: Ana Isabel Ramos)

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