O amor japonês pela guitarra portuguesa

23 Outubro, 2013 — 2 Comments

ポルトガルギター奏者・湯淺隆&マンドリン奏者・吉田剛士

Tenho um amigo apaixonado pelo Japão. Ele é sem dúvida o português mais japonês que conheço. Admiro a paixão dele e a incessante proximidade que tenta estabelecer com o “seu” Japão, porque os países são mais do que coisas terrenas.

Por vezes temos destas coisas, de nos enamorarmos de outras paragens, de fazer coisa nossa o que está longe e de trazer para perto esse amor, seja pela leitura, pelas viagens, pela comida, pela música.

O meu amigo Rodrigo apresentou-me muito recentemente o amor de dois japoneses pela música portuguesa. Chamam-se Marionette, um duo composto pelos guitarristas Takashi Yuasa na guitarra portuguesa e Goshi Yoshida no bandolim. Eles efectuam dezenas de concertos anualmente por todo o Japão e têm divulgado activamente a história e cultura portuguesas durante as suas actuações.

Takashi e Goshi mostram assim o “seu” Portugal e de como a guitarra portuguesa, um instrumento tão particular e de difícil execução, surge nas mãos de tão improvável artista. Ao ver o Takashi tocar, fico com a sensação de que a guitarra portuguesa sempre lhe pertenceu, sempre esteve naquelas mãos.

Portugal e Japão têm uma história que os une há mais de quatro séculos mas, mais forte e durável que os factos desta história e os anos que se somam, é a música que lhes será sempre eterna.

A música apaixona, aproxima, esbate fronteiras e torna o improvável provável.

(Texto: Raquel Félix/ Portugalize.Me)

2 responses para O amor japonês pela guitarra portuguesa

  1. Vi este artigo da Raquel Félix e esbocei um sorriso. Conheci o Takashi Yuasa pessoalmente em Agosto de 2012, quando nos encontrámos por acaso (e isso existe?) num festival em Tanegashima – uma pequena ilha no sul do Japão. Eu estava lá a fazer “trabalho de campo” para o meu doutoramento, e entrevistei-o. Mas depois disso continuei em contacto, até que neste Verão ele veio tocar com o seu colega do “Marionette” à cidade onde vivo, Coimbra. Acompanho portanto o desenvolvimento dos projectos do Takashi já lá vai mais de um ano e tem sido muito interessante constatar como o governo de Macau o recrutou para “embaixador da música portuguesa” no extremo oriente. Ele anda por Macau, todo o Japão e até Coreia, e nesses espectáculos fala do fado, da saudade, da alma da guitarra portuguesa, mas sem a pretensão de ser um “wana be” português. O que ele diz sempre é que se apaixonou pelo instrumento musical, pela sonoridade, pela capacidade singular de expressar emoção sem palavras. Aliás, uma das suas músicas é sobre “Nagasaki à chuva”, e para quem esteve lá algum tempo (em contexto não turístico) é arrepiante como realmente evoca a atmosfera especial daquela cidade. O Japão tem uma relação especial com Portugal e com várias coisas da “portugalidade” (ideias, história, produtos, etc) mas a maioria dos portugueses não sabem isso. Por isso é que estou a fazer o doutoramento nisso… Mas o que aqui quero deixar é: obrigado Raquel pelo artigo, e aliás pelo projecto todo. Bom trabalho!

    Se quiserem ver os meus projectos culturais sobre a relação entre Portugal e o Japão (tudo sem qualquer fim lucrativo) explorem o facebook “Um longo Verão no Japão”. Também sou uma das 3 pessoas da organização do “Namban 470” (metam isto no google seguido de “embaixada do japão”) cujas actividades têm decorrido desde Agosto e terminam em breve.

    ‘jinhos

  2. Olá! Muito interessante descobrir o vosso projecto Portugalize.me 🙂 Estão de Parabéns – é um gosto ler-vos e ir descobrindo várias ideias a brotar de Norte a Sul!

    Ao ler este texto vosso, lembrei-me de algo que eu descobri há algum tempo algo semelhante: uma artista do Norte da Holanda que canta fado numa das línguas da Holanda! Ela é bastante conhecida e tem na sua alma um pouco de Portugal transformado à sua maneira Holandesa. Fica aqui o link: http://espressoandstroopwafel.wordpress.com/2013/07/21/fado-cantado-em-dialecto-da-frisia-e-nao-e-uma-piada/

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