O que será da Majora?

1 Novembro, 2013 — Deixa um comentário

A minha geração, e muitas que estão para trás, saberão muito bem o que a Majora é. Tenho 35 anos e, apesar das notícias falarem do encerramento da produção da Majora, ela ainda é, não a consigo colocar no passado, é-me difícil.

A Majora não é um caso de resistência à mudança, muito pelo contrário, lutou e tentou reposicionar-se reinventado jogos e criando outros tantos mediante os temas e as personagens da actualidade. A mudança dos hábitos de jogo transformaram o Sabichão numa aplicação móvel, coisas dos tempos modernos. O que falhou, o que faltou?

A Majora é coisa de velhos, é passado e cheira a mofo? Hoje há iPads e iPhones, iCoisas e Andoids… cenas fixes… ecrãs cheios de cor, de estímulos para entreter as criancinhas e os pais, os tios e as tias…

Não há uma causa, há causas, as coisas mudam, as pessoas mudam, as sociedades mudam. Mas há mudanças que são por demais súbitas, extremas, questionáveis. Ver uma criança de 5 anos pegar num peluche e perguntar onde é que se liga é-me devastador.

Um dos meus jogos favoritos da Majora era o Dominó de Bandeiras. Pode parecer estranho porque era um simples dominó, mas é precisamente aqui que muitos de nós nos enganamos face ao potencial destes jogos. Aquele dominó era sempre mais qualquer coisa. Para além da curiosidade que aquelas bandeiras me suscitavam, o dominó transformava-se à medida da minha brincadeira, da minha imaginação… por vezes num muro para os meus bonecos treparem, num mini jogo da malha, numa pirâmide ou numa pista de carros (adorava, tinha um lado muito Maria rapaz).

O que eu brinquei com as notas do Monopólio! Brincar às lojas e fazer transacções monetárias com a minha irmã era o ponto alto do dia. Não importava se no fim não havia propriamente um fim, se a loja imaginada ia à falência, se ganhávamos pontos ou não, o importante era o ali, o estar, o regateio entre as duas.

Lamento, mas um iPad não é um brinquedo. Regatear com um iPad, é difícil.

Não sou contra as iCoisas desta vida, fazem parte da mesma. Apenas não as assumo como algo que chega e substitui outras. Adoro a coexistência, a variedade, a diversidade necessária das coisas e das iCoisas.

A Majora parece estar a ser substituída, custa-me colocá-la no passado. Porquê assim? Se o Sabichão soubesse… certamente nos responderia com o seu ponteiro mágico.

Deixo uma outra pergunta ao Sabichão, o que será da Majora? A resposta fica em aberto.

(Texto: Raquel Félix/ Portugalize.Me)

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