Deixar a realeza entrar nas nossas vidas

18 Dezembro, 2013 — Deixa um comentário

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Não sei muito bem quando é que foi mas, a dado momento, comecei a ouvir pelas ruas do nosso país que já nada se fazia à mão. Comprava-se tudo feito. Este mote, talvez tenha começado quando entrámos na UE (ex CEE) e tenha ganhado mais projecção quando aderimos ao euro. Não sei dizer, é um feeling meu, de observadora de rua, de pessoa comum que tenta estar atenta às mudanças do país.

O fazer à mão entrou em letargia, ficou latente durante anos. As grandes cadeias de roupa barata entraram em Portugal e a “uva mijona” ocupou um lugar de destaque na vida dos portugueses. Camisolas a 5 euros, t-shirts a 2, calças a 10. Made in Bangladesh, in Índia, in China, in sítios onde as condições de trabalho e a possibilidade de um justo consumo estão amplamente postas em causa, em prol de uma indústria de fast fashion e de um saciar urgente das necessidades de um consumidor impaciente, ávido, cego.

Até a moda ficou mais rápida, fast. O processo de fazer deixou de ser relevante. Deixou de ser a história da pessoa que cuidadosamente trabalha a linha nas suas mãos, que escolheu determinada cor por saber que o Manel ou a Maria preferem tons escuros, que o ponto que aplica em determinada peça tem um segredo e que, apesar das horas e não dos segundos que passa em roda da sua obra, o fim compensa pela justeza do seu todo. Porque a história agora é outra e, apesar dos 2 euros nos serem baratos, saíram caros a outros e a história é triste, desumana.

Por tudo isto, por favor, deixem a realeza entrar nas vossas vidas! Realeza de real, de nobre e de realidade também!

A Daniela Real é da realeza. Criou a Real Croché em 2012 para assim dar forma a uma arte de “dar ao dedo” que renasce a cada dia que passa. O fazer à mão está a acordar de um sono profundo, fruto da necessidade e de um consumo mais responsável, pensado. Os trabalhos da Daniela não são perfeitos, são reais e não exploram ninguém: “Todas as peças são cuidadosamente desenvolvidas à mão para que o resultado final seja, não perfeito, mas real“.

Se de cada vez que comprarmos alguma coisa lhe dermos uma história mais real, talvez possamos assim deixar entrar mais realeza nas nossas vidas. Comece pela Real Croché, compre coisas com uma história feliz.

(Texto: Raquel Félix/ Portugalize.Me/ Imagem: Real Croché)

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