Artesãos do alumínio

26 Dezembro, 2013 — Deixa um comentário

Portugalize.Me_Vieira

Chapa zincada, latão, folha-de-Flandres, aço inoxidável, alumínio. Matérias primas usadas pelos latoeiros de outros tempos. Os de agora escasseiam e talvez se contem pelos dedos das mãos. A latoaria artesanal transformava chapa em utensílios, em arte, em decoração. Nos dias de hoje, serve essencialmente o último, para fins decorativos. Mais um ofício com os dias contados, em vias de extinção.

Um latoeiro era como um sapateiro, não só fazia como também consertava. Os baldes remendados da minha avó materna ficaram-me na memória. Pendurados no picanço (engenho para tirar água dos poços), raspavam a água que nascia da rocha de um poço não muito fundo, mas que impunha o seu respeito. Raspavam, batiam na rocha e raspavam até que rompiam e a ida ao latoeiro, para remendar o desgaste do trabalho, era inevitável.

O mesmo acontecia com os funis dos enchidos, verdadeiras relíquias da latoaria com anos e anos de carne e massas a passar-lhes pela “goela”. Chouriças, farinheiras, morcelas, tudo se fazia e os dedos grandes das mãos calcavam e calcavam as carnes e as massas pastosas das farinheiras. Os funis também não dispensavam uma ou outra ida ao latoeiro. As coisas duravam mais tempo, tinham de durar. Eram outros tempos.

As vacas magras começaram a engordar e a constante manutenção de vários utensílios deu lugar à substituição dos mesmos. A indústria começou a ganhar dimensão, cresceu, floresceu e ainda floresce. É o caso da empresa Alumínios Vieira, nascida em 1976 iniciando uma vasta produção em alumínio de louça Metálica para uso doméstico e indústria de hotelaria. Os anos de existência e o reconhecimento no mercado português, dão-lhe o mérito merecido de uma PME que se soube reinventar com o passar dos anos.

Muitos dos utensílios feitos pela Vieira relembram a arte dos exímios artesãos da latoaria. O industrial não “destruiu” o lado da característica e da história que marcam muitos destes objectos, como é o caso do funil dos enchidos que muita gente ainda faz questão de usar na forma como os elabora artesanalmente.

O novo não tem de substituir e esquecer o velho, pode reinventá-lo e dar-lhe um novo lugar.

(Texto e imagem: Raquel Félix/ Portugalize.Me)

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