Ilustrar a monotonia

16 Janeiro, 2014 — Deixa um comentário

O artista faz dos lugares a sua tela, “lugar” de expressão que pode ser uma parede, uma folha em branco, um carro, um sapato… ele vê arte em potência nos mais variados sítios, consegue transformar o feio em belo, o homogéneo em único.

A globalização “roubou” parte da nossa unicidade, do nosso específico, o só meu, o só nosso que é lugar de identidade e de diferenciação. É difícil aceder a essa diferenciação nos dias de hoje. Parte do que usamos tornou-se massivo. Se por um lado as coisas se tornaram mais acessíveis e assistimos cada vez mais à democratização dos objectos, por outro acentuámos a homogeneização dos nossos lares, das nossas vidas.

Quem não tem um móvel do IKEA? Aquele que tem nome de pessoa (se calhar há mais do que um… os objectos com nome de pessoas). Quando vou a casa de alguém tento procurar os pormenores, objectos únicos que ajudam a caracterizar a pessoa (um quadro, uma foto, um móvel diferente, uma relíquia, uma baú restaurado… qualquer coisa que não me faça sentir que estou num armazém de uma cadeia de móveis).

A Verse Store deu conta (interpreto eu) da monotonia que pairava sobre os nossos lares e, com a colaboração de uns quantos artistas portugueses, lançou uma série de vinis criados especificamente para algumas gamas de móveis IKEA. Mais do que o desejo de dar aos seus clientes a possibilidade de personalizarem móveis que pouco ou nada de específico têm, a Verse pretende desta forma divulgar o trabalho e o potencial de muitos artistas portugueses ainda desconhecidos.

Faça dos seus móveis a tela destes artistas. Ilustre a monotonia!

(Texto: Raquel Félix/Portugalize.Me/  Imagens: Verse Store)

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