A velha é que sabe

30 Maio, 2014 — Deixa um comentário

Sol_Portugalize.Me

Quando acordo, uma das primeiras coisas que faço é ir à janela espreitar o tempo. Abro-a e recebo-o como um vizinho de longa data, estendo a mão para o cumprimentar, sinto o frio, a chuva, o calor, o vento ou o ameno do dia que se avizinha numa tentativa de perceber melhor “o tempo que se irá pôr”. Depois, imagino o outfit do dia e digo, tal e qual como a minha amiga Ana Paula… “mas o que é que um “gajo” há-de vestir?!”.

A mão, termómetro improvisado, comprova-me a realidade: Maio é mais frio do que se deseja, mais chuvoso do que se estava à espera. E não há boletim meteorológico que valha nesta comprovação porque muitas vezes as previsões saem ao lado (há um par de dias, as previsões para hoje iam ser de um dia quente de vinte e muitos picos graus, veranesco puro…). Previsões são isso mesmo, previsões.

Falava eu com a minha mãe ao telefone sobre este Maio fresquinho Maio, de como nos apercebemos que o mês sempre foi assim, mais para o frio do que para o quente e de que, nos dizeres populares lá da terra, havia quem dissesse algo do género: “A melhor cavaca, guarda-a a velha para Maio”.

Se sempre assim foi, porque raios queremos nós, na nossa aceleração frenética, ver Verão onde ele não existe, pôr calor e sol de outras Copacabanas onde ele não surge? Andamos ávidos de Verão, tudo bem, mas deixemos Maio em paz, deixemos sê-lo.

O Verão está à porta mas ainda não entrou e Portugal anda numa espécie de caça ao sol como se tivesse obrigação disso. Somos um país de muito sol mas, se a mãe natureza não estiver para aí virada, bem podemos ir à caça desse bom tempo e nada caçar.

Afinal a velha é que sabe…

(Texto e imagem: Raquel Félix – Portugalize.Me)

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