Batida aqui e Batida ali

23 Outubro, 2014 — Deixa um comentário

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Antes demais uma explicação, se calhar desnecessária, mas que se impõe.

Batida é nome de projecto de um homem só. Pedro Coquenão nasceu em Angola e cresceu em Portugal, mas as raízes africanas ficaram-lhe no esqueleto, tanto que quando foi grande, pôs toda a gente a dançar. Batida tem dois discos lançados por cá (“Dance Mwangolé” de 2009, que está esgotado e é difícil de encontrar, e o fresquíssimo “Dois”). Pelo meio, em 2012, lançou internacionalmente “Batida”, que é uma versão revista de “Dance Mwangolé”.

O “Dois” também foi lançado internacionalmente pela editora britânica de Coquenão, a Soundway Records. Ou melhor, o disco foi lançado normalmente no mercado e isso inclui Portugal. A Soundway Records é a casa de artistas como os colombianos Bomba Estereo e dos luso-holandeses Fumaça Preta (que se calhar também serão alvo de um crónica destas no futuro).

Tendo alguém do outro lado (leia-se fora das fronteiras e mentalidades portuguesas) a trabalhar para si, Batida tem estado em alta e praticamente em todo o lado para onde olhamos. Isto se olharmos para os sítios certos, claro. O single ‘Pobre e Rico’ recolheu elogios na BBC e no Guardian (onde o editor cultural o apelidou de ‘O meu tema favorito do momento’), fez uma remistura para ‘Heavy Seas of Love’ de Damon Albarn (ali para baixo), que o líder dos Blur «gostou muito» e é o representante de Portugal (entre mais de 70 candidatos) no WOMEX, a maior feira global de música do mundo, que está a decorrer neste momento em Santiago de Compostela.

Numa parte mais poética da entrevista que lhe fiz recentemente, Coquenão diz que gosta de saber que há uma tribo em África para quem música significa dançar. E que por outro lado, um tema lento é chamado de lamento. Mais à frente, sem o micro ligado, não cantou quando se ‘lamentou’ sobre a falta de apoios que as autoridades portuguesas estão neste momento a disponibilizar para a música. Mas foi também no meio do seu estúdio recheado de electrónica e instrumentos tradicionais, que deu corda às botas e fez-se à vida trabalhando no duro. E também um pouco por isso, agora dá mais concertos lá fora do que em Portugal. Ou que usa um sample dos Clash no tema ‘Tá Doce’, com a devida aprovação dos ‘deuses’ britânicos.

(Texto: Rita Tristany Barregão para o Portugalize.Me/ Imagem: Manuel Lino)

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