Licores de tantos sabores

20 Novembro, 2014 — Deixa um comentário

Samanta Velho_Portugalize.Me

A garrafa é tosca, a letra não aspira a ter caracteres hispters da moda nem a etiqueta a ter um logo desenhado por um nome pomposo da praça.

Olhamos e é simples, sabemos logo do que se trata. Não há descrições escritas de maior, há sim uma história, um relato amável e dito com carinho pelo neto das mãos artesãs de tão espirituosa bebida.

Não há castas nem regiões demarcadas. O sabor não evolui na garrafa, como se costuma dizer, mas à medida que se bebe: doce, suave, apetecível, com sabor intenso, mas não em demasia… a figo.

As folhas, apanhadas nas árvores frondosas lá na terra, deixam um travo a ar fresco. Diria que foram apanhadas durante a manhã, antes de se acenderem as lareiras da pequena aldeia. Não sabe a fumo, mas poderia saber, as folhas absorvem parte da vida que as rodeiam.

Um licor caseiro cai sempre bem, seja num dia de frio intenso, chuva ventosa ou como ensaio de uma mezinha para a cura de uma forte constipação. O caseiro está impregnado de cuidado, conforto, é um lugar que apetece de vez em vez.

Portugal tem arte no caseiro, no íntimo, no segredo de receitas licorosas… umas mais secretas do que outras certamente. De uma prova de licores nasceu a consciência de quão próxima esta bebida é das nossas raízes.

Quais xaropes da vida!

Samanta Velho_Portugalize.Me 2

(Texto: Raquel Félix– Portugalize.Me/ Imagens: Samanta Velho)

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