Lá voltamos nós aos festivais

4 Abril, 2015 — Deixa um comentário

PedroSadio_BONSSONS14_04

Estão quase completos os cartazes dos principais festivais rockeiros por cá e, como sempre, a quota portuguesa é baixa, sobretudo nos palcos principais. Também é verdade que já falei com diversas bandas que me dizem que é preferível tocar no palco secundário a uma hora mais avançada do que serem os primeiros do palco principal (para onde são quase sempre remetidos os artistas portugueses em festivais como o Alive ou Super Bock Super Rock), para meia dúzia de casmurros que os querem mesmo ver sob o sol forte que normalmente ainda brilha por esta altura.

No NOS Primavera Sound do Porto, que é o único com cartaz completo por agora, não precisamos de pegar na lupa para ler nas letras pequenas um nome nacional (no de Barcelona, há umas quantas bandas espanholas nas letras mesmo pequenas com que o grafismo dos cartazes apresenta o alinhamento do festival). Temos a Banda do Mar (que para todos os efeitos é um projecto criado em solo nacional que conta com um português) e o Manel Cruz com destaque razoável e o Bruno Pernadas em letras mais pequenas.

No Alive, que partilha patrocínio com o Primavera, temos os HMB no palco principal e Dead Combo no secundário por agora. No festival de Algés, é comum criar palcos mais pequenos para ‘atirar’ para lá os portugueses (grande honra). Tape Junk, Los Waves e Basset Hounds, por exemplo, vão tocar no Coreto, que fica ali mesmo colado ao Heineken, só para informar quem nunca conseguiu ouvir quem passa por lá.

O SBSR traz cá os Blur e só isso era razão para não lhes puxar as orelhas, mas este ano, à excepção da Banda do Mar (onde é que já ouvi isto?) e os Modernos, estão muito abaixo na quota nacional a que nos foram habituando. Também costumam ter um palco dedicado aos tugas para calar os cínicos, deve ser o palco que aparece como Undefined no site oficial. Aliás, fora os nomes principais, há aqui muita reciclagem do cartaz do Vodafone Mexefest do ano passado.

Curiosamente, o MEO Sudoeste, enfim, que já anda longe das suas raízes rock há anos, é o que está melhor na presença tuga. Buraka Som Sistema, Carlão, Dengaz, D.A.M.A., Jimmy P, Regula… E todos no palco principal – contudo, e porque sou chata, falta aqui alguma presença feminina.

No Vodafone Paredes de Coura, há novo psicadelismo do bom mas (até ver) pouco ou nenhum feito por cá.

Nos nomes que já animam as expectativas dos festivaleiros do Músicas do Mundo de Sines, não há um único português.

No MEO Marés Vivas há sempre boas perspectivas, com Ana Moura, Buraka, Blind Zero, Black Mamba e Miguel Araújo já confirmados.

A grande novidade do ano, é que o Bons Sons (que até agora tem sido exclusivamente nacional), passa a ser anual este ano, depois de cinco edições em formato bienal. Entre 13 e 16 de Agosto, Cem Soldos é a capital portuguesa do ‘estás a ver? A música portuguesa tem público para dar e vender’.

PedroSadio_BONSSONS14_03

(Texto: Rita Tristany Barregão para Portugalize.Me)

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