O mote do bordado!

7 Abril, 2015 — Deixa um comentário

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Olá a todos os queridos leitores do Portugalize.me. Há já bastante tempo que aqui não escrevo, mas hoje sabe-me muito bem estar aqui convosco.

Talvez não saibam, mas um dos meus projectos do coração é o Clube de Bordado, uma comunidade de pessoas um pouco por todo o mundo, que se reúne virtualmente sob o mote do bordado. No primeiro dia de cada mês, os membros recebem uma receita nova nas suas caixas de correio electrónico, para bordarem ao seu ritmo, marcando no tecido o correr dos dias. O Clube existe para mostrar que o bordado é para todos; que o jeito não é uma coisa inacessível, que só alguns têm; e que do nada se pode fazer nascer algo, usando poucos materiais e algum engenho.

Todos os meses tento experimentar algo novo: uma nova técnica, um material que não conheço. Neste projecto de Abril quis reconciliar-me com um material que já tinha usado, e detestado: um fio metálico. No projecto de Dezembro, a coroa de Natal, tentei usá-los pela primeira vez, e não gostei.

Volvidos quatro meses, quis voltar a experimentá-los, e pensei que o projecto de Abril do Clube de Bordado poderia ser uma boa forma de fazer as pazes com eles.

A verdade é que estava habituada a trabalhar de forma quase exclusiva com os fios de algodão Cotton Perlé número 8, um fio que confere uma grande definição ao ponto, um pouco como uma caneta de ponta fina confere definição ao traço no papel. É um fio vendido em pequenos novelos, não se desfia (só ligeiramente na ponta que não vai ser usada), e pode ser usado tal como sai do novelo, sem qualquer preparativo. Vem numa miríade de cores, e acho que podem imaginar a minha alegria quando entro num retroseiro e olho para as estantes com os novelitos organizados por cores. É uma versão do paraíso, para mim!

Os fios metálicos são totalmente diferentes. Vêm em pequenas meadas; assim que se puxa pela pontinha do fio, ele começa logo a separar-se em seis fios mais finos. E porque são feitos de uma fibra artificial que cobre outra fibra, desfiam rapidamente quando se está a bordar.

A diferente natureza destes fios obrigou-me a fazer adaptações na forma como bordei com os metálicos; uma delas, cortar porções de fio mais curtas do que cortaria se do Cotton Perlé se tratasse. Para aprender, também usei os recursos desta fantástica internet e pesquisei dicas para bordar com fios metálicos. Algumas foram muito úteis, outras nem por isso. Suponho que cada pessoa tenha a sua forma óptima de trabalhar, ditada pelas suas próprias contingências e gostos.

Todo este processo me fez reflectir sobre a importância da escolha dos materiais na forma de trabalhar, e documentar o processo, passo-a-passo. É incrível como diferentes materiais nos obrigam a adaptar-nos às suas características para os usarmos da melhor forma. Um fio de algodão mercerizado nunca será igual a um fio metálico, pelo que a técnica de bordado tem forçosamente de ser diferente.

Estes projectos mensais têm sido uma aprendizagem valiosa para mim. Adoro chegar ao fim de um projecto e contemplar a obra feita e acabada, mas é a pesquisa, o processo, a tentativa e o erro que considero a parte mais enriquecedora e divertida de todo o projecto.

Se se juntar a esta comunidade e quiser vir aprender fazendo, inscreva-se no Clube de Bordado hoje mesmo e receba esta receita no seu email. Estamos à sua espera!

O Clube de Bordado “reúne-se” virtualmente numa página dedicada, de acesso exclusivo aos membros, e num grupo de facebook. As receitas de bordado chegam às caixas de correio dos membros no dia 1 de cada mês, ou no dia em que o membro se inscreve. Junte-se a nós!

(Texto e imagens: Ana Isabel Ramos)

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