Nós e a nossa comida

29 Novembro, 2015 — Deixa um comentário

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Restaurante a Adega -Almoçageme (Colares) – O Ai-pede lá do sítio

Diz-se que os olhos também comem, que saco vazio não fica em pé, que quem não é para comer também não é para trabalhar e que o apetite nasce à mesa! Não faltam dizeres sobre comida aos portugueses. Ao que parece estamos sempre a falar de comida e não importa se nesse preciso momento estamos ou não a comer. Ao almoço planeamos o jantar, ao lanche salivamos com os planos que fizemos ao almoço, ao pequeno almoço imaginamos a farturinha do meio do dia. E não convém esquecer que para muitos, ainda há espaço para a ceia, lá mais para o final da noite que é para se ir aconchegado para a cama.

Não temos remédio, somos povo de bom garfo e fazemos do comer diversão, porque apreciamos o seu valor, o seu contexto, a necessidade do momento, seja para degustar coisas que nos distanciam das preocupações da vida ou para degustar a própria da vida.

Preocupações? Essas… talvez mais para o fim da refeição, aquando da necessidade de um “alka seltzer”… mas até para isso o povo português dispõe de uma vasto leque de mésinhas e receitas para curar o bucho do enfartamento.

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Restaurante Frankfurt – Quinta do Conde (Sesimbra) – Prato de Ossos

Não nos iludamos apenas com as modas gastronómicas dos tempos modernos que o português gosta de se lambuzar, de arrotar! Sim isso mesmo, de arrotar! Não me levem a mal que a coisa é dita por bem, por gostarmos de pôr as entranhas ao serviço da satisfação!

Temos verdadeiras relíquias gastronómicas, tesouros escondidos, delícias por descobrir. Arrisquemos mais pela nossa comida, pelas receitas das Ti Marias e dos Ti Manéis e das tascas perdidas por terras de nomes estranhos que nos fazem torcer o nariz em jeito de desconfiança. Não consigo imaginar a quantidade de maneiras de cozinhar e receitas diferentes que existem por esse Portugal fora. Chegassem as estrelas Michelin a muitas destas casas e pequenos estabelecimentos… chegassem elas… Não nos podemos dar ao luxo de perder este vasto património de receitas caseiras.

Seria certamente uma tristeza fatídica.


Texto e fotografias: Raquel Félix

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