Detalhes da vida de um lugar

7 Fevereiro, 2016 — Deixa um comentário

Espelho portugalize.me

Quando recordo um lugar, seja ele uma cidade, um pedaço de terra perdido no centro do Alentejo ou uma casa a olhar-me do alto de um monte granítico no norte de Portugal, procuro-lhe o detalhe, a memória presa ao pormenor que me fez parar para o apreciar. Recordo as distinções, as unicidades (padrões, cores, cheiros, objectos, pessoas, histórias), tudo o que permita a diversidade e me faça sentir que ali, conheci coisas novas!

Não perco tempo com o igual, nada acrescenta. Nos sítios procuro as diferenças! As coisas dali e que só ali existem pois são elas que tornam as visitas mais ricas e que conferem à deslocação o estatuto de viagem. Viajo para descobrir não para constatar que a imagem que vi é igual à imagem de um guia qualquer. Deixo-me surpreender.

Em Lisboa, junto ao número 115 da Praça D.Pedro IV (também conhecida por Rossio), vive um espelho público cuja inscrição nos fala: “Componha o nó da sua gravata”. Olho para este pormenor da cidade, finjo compor a gravata imaginando os rostos, as mãos, os tecidos mexidos e as cores reflectidas no espelho da Praça. Anos e anos de reflexos.

Afasto-me e capto mais pormenores, o “plastificador” de documentos e guardião diário do espelho: “Já ninguém compõe a gravata aqui”. Talvez as componham noutros sítios? Talvez o espelho já não tenha tantos fregueses, nem o “plastificador” de documentos mas, ali estão, ali habitam, ali perpetuam e vincam um detalhe da cidade.

Enquanto houver apreciadores e guardiães de pormenores, os lugares distintos, poderão dormir um pouco mais descansados.

Guardador_Portugalize.me


Texto e Imagens: Raquel Félix – Portugalize.Me

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