Sem palavrinhas mansas

13 Março, 2016 — 1 Comment

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Começo com um pouco de fel porque isto de ver morrer o que dá vida a uma cidade faz com que os fígados se agitem de tal forma… que nem sei o que mais vos possa expressar! Foi o fecho do restaurante Palmeira, o anúncio do fim do Tokyo, do Jamaica e do Europa, da abertura de uma certa McCena algures no coração de Lisboa (em frente à Brasileira)… que mais falta ir ou vir?

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Basta ouvir da boca de quem vem de fora e escolheu Lisboa para ficar: “Lisbon is going down!”… diz Antony Millard enquanto corta cabelos na Rua do Norte (desde 1999). Se Lisboa perde os seus pormenores, Lisboa desaparece.

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A todos os que aterram em Lisboa e que não vêm à procura da McBifana rotulada com o selo do Portugal Sou Eu (esta coisa esquisita onde a bota não bate com a perdigota), não lhes iremos dizer para experimentarem aqueles pastéis de bacalhau com queijo da serra com uma receita de há dias a fingir anos… vamos antes falar-lhes de um certo desenho que alguém fez em 1999 e que subtilmente sobrevive ao fumo e aos vinhos da Tasca dos Canários. Faremos tours às Sociedades Recreativas e Associações Lisboetas para bailar ao som de um LP riscado e comer o que de mais caseiro esta terra tem.

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Procuraremos também o novo, a fusão entre diferentes culturas e detalhes humorísticos de espaços acabadinhos de abrir com grandes doses de descontração. Falo-vos da Casa Mocambo cuja responsável, a Mafalda, diz exibindo a sua obra: “Uma última ceia sem uma toalha e sem uns cortinados como devem de ser?! Não pode ser!”

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Não podemos esquecer que Lisboa é uma cidade de detalhes que proporciona à contemplação das mais estranhas coisas. É a cidade perfeita para curar alienados. Se a perdermos, alienaremos em conjunto.

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Entrar na Loja do Rei das Meias é um desafio ao pormenor, ao detalhe e um exercício vibrante ao sentido da visão. Deveria ser obrigatória uma passagem pelo Rei da Meias (abertos desde 1929).

Esperemos que se aguente… é só já isto que penso…

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Texto e imagens: Raquel Félix – Portugalize.Me

One response para Sem palavrinhas mansas

  1. Sem dúvida. Deixei Lisboa à 4 anos, morava no Chiado. Saí em medida porque me apercebi deste triste fenómeno. A crise não ajudou, aliou a “chico-espertísse” ao empreendedorismo e – voilá!

    Somos “espertos” para seguir os outros, mas não temos esperteza suficiente, para ver que muitos dos outros que seguimos já bateram no fundo.
    Estamos quase como Veneza que correu com a classe média Italiana que não teve bolso para acompanhar a “oferta”(?) da cidade; ou só nos falta fazer como Cuba e arranjar oura moeda para os pobres e secundários habitantes Lisboetas…

    Como não pude fazer mais nada, fugi.

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