Haja o doce das bolas do Natário

29 Novembro, 2013 — 7 Comments

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As notícias recentes falam-nos de Viana do Castelo como uma cidade em luto. Os Estaleiros Navais de Viana do Castelo vão encerrar. É difícil encontrar ânimo nos 609 trabalhadores dos Estaleiros, mesmo com a vã perspectiva da manutenção de parte dos postos de trabalho porque a perda é maior, é mais do que um posto de trabalho e toca a todos, fere os trabalhadores, fere toda a população de Viana.

Viana do Castelo está em choque, apreensiva com o futuro. A cidade foi ferida de morte. Nas ruas as pessoas sentem que este foi um golpe duro, profundo e que levará tempo a sarar. Será preciso tempo e só mesmo o tempo poderá ajudar a perceber o verdadeiro impacto desta mudança na vidas dos Vianenses.

A última vez que estive em Viana do Castelo (penso que há 3/4 anos em visita ao meu amigo Renato), a cidade surpreendeu-me. Na altura olhei para os Estaleiros como coisa secundária porque a beleza de Viana arrebatou a minha atenção (as paisagens, a comida, as pessoas, o mar). Digamos que conhecer uma terra desconhecida com a ajuda do olhar de um local, torna a descoberta mais intensa. Com ele descobri pequenas histórias, tesouros escondidos, rituais dos Vianenses que de outra forma me seriam impossíveis de saber.

Viana do Castelo é simples, descomplicada, acessível, doce… e o doce da cidade nasce das mãos dos mestres pasteleiros da Pastelaria do Manelzinho Natário (fundador falecido em 2003, a quem Jorge Amado chamou de Capitão Natário no seu romance “Tocaia Grande”). Fernanda Natário assume, desde então, o leme da casa e faz questão de assegurar que todos os Vianenses possam ter uma vida mais doce. A casa, muito familiar, sempre cheia, com filas à porta para a fornada das 11h, para a fornada das 16h, faz as mais conceituadas bolas de berlim da região, para mim, as mais saborosas do planeta.

A espera compensa porque ao morder tão doce e bem feita iguaria, esquece-se por breves instantes a parte mais dura da vida. Enquanto houver Natário, lenços de Viana, corações de filigrana, romarias, gigantones, cabeçudos, histórias, lendas, serenatas, mar, rio, gentes, as suas gentes, novos e velhos, Viana viverá e poderá continuar a gritar: “Vi Ana do Castelo! Vi Ana do Castelo!” (como reza a lenda do cavaleiro enamorado pela Ana, na varando do seu castelo). 

(Texto: Raquel Félix/ Portugalize.Me)

7 responses para Haja o doce das bolas do Natário

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