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Se formos ver bem, a olho nu (ou seja, a olho de gente menos entendida na coisa), não há assim tantos artistas que reconheçamos imediatamente.

Cada um terá a sua lista mas, sobretudo na pintura, é fácil identificar um Dali, um Miró, um Cézanne, um Munch, um Van Gogh desde que pinte girassóis ou um Degas desde que pinte bailarinas. E sim, isto é uma visão redutora da arte, mas o que eu queria mesmo dizer, é que, pelo menos para mim, não reconheço logo assim um artista.

Mas há uns aninhos para cá, que há um conjunto de retratos gigantes, sobretudo em paredes em zonas feias da cidade (eu aqui falo de Lisboa), que me fazem logo dizer, olha um Vhils. Se andasse nas ruas de Londres ou do Rio de Janeiro, também reconheceria rapidamente um Banksy ou os Gémeos (há um graffiti deles ali na Av. Fontes Pereira de Melo).  A arte feita na rua, fez das ruas um museu gigante e com entrada livre. Aqui em Portugal, entre vários graffiters de sucesso, o Alexandre Farto (ou Vhils) destacou-se logo por causa da sua especial técnica de produzir retratos super expressivos com recurso a milhares de micro-explosões. É maravilhoso ver os makinkg ofs dos baixos relevos criados por Farto, que há por essa internet fora.

Recentemente, Farto teve honras de uma interessante exposição com o alto ‘patrocínio’ da EDP, curiosamente a detentora de várias caixas de electricidade outrora ‘embelezadas’ por artistas e graffiters como Farto. A Central Tejo foi o local perfeito para Vhils expandir a sua arte (ou nas suas palavras, agrupar tudo o que já tinha feito pelo mundo fora) e mostrar que é um artista completo, como a sociedade moderna quase impinge que os artista sejam. Multifacetado, multi-dimensional… Enfim, uma data de multis.

Também este ano, Vhils realizou, entre outras coisas, o vídeo do Stoopid dos Buraka, que usa e abusa, com efeitos coloridos, do slow motion e é um dos melhores vídeos feito por cá do ano.

Farto vai agora também fazer uma instalação numa sala de espectáculos da Coreia do Sul, que só será visitável em 2015.

Mas o que toda a gente anda a falar, como se o Vhils tivesse começado agora, é do vídeo que Farto realizou para os U2. Podem vê-lo aqui. Temos lá a ‘nossa’ Lisboa, urbana, feroz e bonita sem as habituais colinas, eléctricos e fado ao fundo. Enfim, o pior mesmo é a música dos U2, mas não se pode ter tudo.

(Texto: Rita Tristany Barregão para o Portugalize.Me/ Imagem: U2/ Vhils)