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Quem muito se passeia por Lisboa, descobre-lhe particularidades e encantos que proporcionam paragens obrigatórias. Suponho que estes momentos existam por todas as terras deste país. Aliás, pelo mundo inteiro, basta estarmos atentos, de olhos e sentidos bem abertos para que eles nos possam encontrar e surpreender.

Há uma janela em Lisboa muito particular, muito viva. Dali saem sonhos feitos à mão, pelas mãos da Dona Dulce. Fantasias, chapéus, coisas carnavalescas, ou não… trajes do agora, do antigamente, cores, tecidos, plumas, pompons… Na Rua do Norte, no Bairro Alto, Dulce, a costureira de Lisboa (assim o é desde os seus 13 anos de idade), debruça-se sobre a janela. Um gato faz-lhe companhia. Pessoas param, fazem festas ao bichano. Pessoas param e espreitam pela janela. Pessoas param e descobrem um quarto forrado a roupas.

Dona Dulce começa a pôr chapéus nas cabeças alheias. Os desconhecidos riem, admiram-se com tanta espontaneidade e abraçam a brincadeira. Experimentam os chapéus da Dona Dulce, fazem poses, tiram fotografias, sorriem mais uma, duas vezes (que isto de rir prolonga a vida) e despedem-se dela. Fazem mais uma festa ao gato, tiram mais uma foto com a Dulce, dão apertos de mão, beijos e soltam mais uma gargalhada. Agradecem… não sabem muito bem o porquê, mas agradecem: “Obrigada Dona Dulce! Até breve!”.

Até breve!


Texto, imagem e vídeo: Raquel Félix – Portugalize.Me