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Vítor Reis é artista plástico e não tem “papas na língua”, neste caso, nas mãos.

Viver nas Caldas da Rainha permite-lhe um certo à vontade na maneira como trabalha a cerâmica. No seu espaço de trabalho não há censuras, moralismos ou pudores. Quando se fala de Bordalo Pinheiro e das Caldas, surgem logo no nosso imaginário abordagens interessantes e “picantes” a esta arte local e bastante portuguesa.

A arte fálica da loiça das Caldas é agora reinterpretada pelo Vítor Reis. A ideia surgiu a partir das histórias que ouvia dos pais sobre o tempo da ditadura em Portugal. “Nessa altura, e devido à censura e a um pensamento de tradição “purista”, os falos eram vendidos no mercado encapuçados com um pano ou embrulhados em papel. A peça chama-se “Fantasma” e, como algo que regressa do passado, pretende ressaltar este espírito conservador que perdura na nossa sociedade.”

No entender de Vítor Reis e, apesar de existirem presentemente vários autores a recuperar e a apresentar propostas interessantes sobre este tema, esta tradição de forte cariz cultural, continua à margem quando comparada com outros “ícones” tradicionais portugueses.

Talvez os portugueses precisem de mais tempo e abertura para se apaziguarem com alguns “fantasmas” do passado, para que possam lidar de forma menos retrógrada com partes da sua história e da sua cultura.

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(Texto: Raquel Félix/ Portugalize.Me)