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PreguicaMagazine

Há um discurso transversal aos anos e aos lugares com que este país conta: a descentralização, de que Portugal não é só Lisboa. O mote tem ressurgido, muito devido às últimas eleições autárquicas e, talvez, devido a uma maior consciencialização de que Portugal continua a ter fortes contrastes e assimetrias. Somos um país de litoral, de interior, de centro, de norte, de sul, pequeno, mas amplo na sua diversidade e, mesmo assim, sabendo nós disto, tendemos em não explorar toda a rosa dos ventos.

Nem sempre olhamos em todas as direcções. Teremos nós preguiça, ou não queremos saber?

Se gostamos ou não de “fazer gazeta” ao que se passa para além do nosso quilómetro quadrado, não sei responder, talvez não seja sequer uma questão de gosto, mas sinto que por vezes nos demitimos desta razoável obrigação de irmos e olharmos mais além, de sairmos da nossa zona de conforto e ousarmos saber mais sobre outras paragens.

Há coisas a acontecer pelo país, há cidades, vilas, aldeias com vida e não nos apercebemos disso. Sabe-se mais da suposta vida sonhada das novelas, dos segredos dos outros e de factores xpto’s, do que da realidade circundante. Circundante sim. Lembre-se, Portugal é um país pequeno, quanto a mim, um país com um tamanho ideal.

E, mesmo assim, e sabendo nós disto, dizemos que em Portugal não há muito para fazer. Esta é uma maneira de estar de alguns, porque outros há que sabem e dão a saber o quão interessante Portugal pode ser. Fazem literalmente Gazeta, dão-nos para as mãos algo que explorar retirando-nos do lugar dos aborrecidos e inertes preguiçosos.

A Preguiça Magazine luta por isso mesmo. As notícias chegam-nos de Coimbra e mostram um lado da cidade que supera os conhecidos estudantes, o Mondego, as Universidades, o Portugal dos pequeninos. Coimbra das artes, da música, da cultura, das letras, da gastronomia, das lojas, da inovação, das ideias, das pessoas, do teatro, do cinema, dos cafés, das exposições.

Projectos como este põem a descoberto o que se vai fazendo, de como o país vibra e tenta abraçar a cultura e resgatar o gosto pelo sair, pelo ir, pelo estar. A Preguiça Magazine é directa na sua mensagem, curta e grossa como se diz em bom português: “depois dizes que não há nada para fazer”.

Depois diz-se que não há nada para conhecer ou ler.

(Texto: Raquel Félix/ Portugalize.Me)