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Se a expressão oral é ilustração major de parte da alma cultural portuguesa (tão bem documentada por Tiago Pereira na serie: “O Povo que ainda Canta”), a expressão escrita grita tão ou mais alto, mesmo sem precisar de som, porque há um povo que ainda escreve, que suja as mãos, que rasura folhas, que as rasga, risca e deixa impressões digitais impressas no papel.

A expressão escrita é essência sem data, que nos acompanha desde sempre porque é desde este sempre que somos escritores de mérito, reconhecidos mundo fora. Portugal, país de escritores, de viajantes, de sonhadores, de anotadores de histórias, de pormenores, de personagens. Basta passearmos pelo vasto espólio de cadernos de Fernando Pessoa e tudo fica claro!

Num mundo que procura a desmaterialização das coisas e dos processos, há quem faça do seu trabalho uma missão de preservação e afirmação da materialização de produtos de valor e de processos artesanais centenários. Há quem perceba o valor do acto de escrever e deseje conjugar este verbo mais vezes do que aquelas que as tendências nos querem mostrar.

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Viro o foco para o trabalho da Fine & Candy, para a forma como cuida do “lugar” onde a escrita nasce (o papel) dando-lhe uma “casa”, uma protecção (a capa, o bloco) recorrendo a técnicas antigas e tradicionais da encadernação de luxo.

É desta forma que a Fine & Candy tem vindo a preservar uma arte e uma prática da sua extinção e, desta feita, vinca o lado físico dos seus produtos reafirmando a força do manual nas suas encadernações de pele trabalhadas pelas mãos hábeis de mestres artesãos.

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Os produtos da Fine & Candy são uma verdadeira carta de amor ao papel e a todo o seu contexto, escrita a várias mãos. Um trabalho que nasce das mãos dos encadernadores que medem, cortam, colam, cozem e gravam a pele com a maior das delicadezas terminando nas mãos dos que irão ilustrar, escrever, anotar… descobrimos assim o verdadeiro valor do manual, da fiscalidade expressa num reencontro de mãos (existe um momento solene em que as mãos do escritor ou do ilustrador, encontram as mãos do artesão).

A desmaterialização é ausência, a materialização é encontro e faz viver os vários sentidos: toque, cheiro, som, gosto e olhar. Na Fine & Candy há tudo isto e escrevo-o por conhecimento de causa, por perceber, ao abrir o meu bloco, que a conjugação de cheiros, de texturas e até do gosto que parece surgir no palato pela intensidade dos aromas, não é ficção.

Nesse preciso momento, consegui decantar os vários elementos do bloco, o cheiro das folhas, da cola, da pele… consegui imaginar a forma como as mãos do artesão esticaram a capa de pele e tão cuidadosamente escreveu Portugalize.Me.

Se desejas saber mais coisas sobre os produtos da Fine & Candy ou de como adquiri-los, clica nas imagens: Os blocos mais populares e Outros favoritos e descobre como a Fine & Candy faz das suas matérias coração.


(Texto/ imagem 2: Raquel Félix – Portugalize.Me – Imagens 1, 3 e 4 – Fine & Candy)