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Enquanto esperamos que a organização do Festival de Cannes anuncie uma retrospectiva de homenagem a um dos seus mais queridos realizadores, o recentemente desaparecido Manoel de Oliveira, muita imprensa internacional, sobretudo norte-americana, perguntava-se porque é que “As Mil e uma Noites”, a odisseia de seis horas de Miguel Gomes, não faz parte do cardápio das secções mais prestigiadas do evento que começa no dia 13 de Maio. E eis que é confirmado que o épico tríptico do realizador de “Tabu” e “Aquele Querido Mês de Agosto”, vai mesmo estrear na Croizette inserido na Quinzena dos Realizadores.

O filme é composto por três partes intituladas “O Inquieto”, “O Desolado” e “O Encantado”. Toda esta ambição e megalomania do mais interessante realizador da nova geração portuguesa tem gerado imensa expectativa junto dos conhecedores, em grande parte porque “Tabu”, foi muito bem recebido em certos círculos do outro lado do Atlântico.

Com o anúncio da presença nesta secção paralela de Cannes também veio a justificação para o seu afastamento da competição. E tem tudo a ver com as seis horas de duração, que implicavam tirar não só um mas dois filmes do concurso. gomes ainda foi convidado para a secção Un Certain Regard, mas preferiu estrear o filme na Quinzena dos Realizadores.

As Mil e Uma Noites, o filme, ou antes os três maravilhosos filmes de Miguel Gomes serão programados na Quinzena dos Realizadores. Esta soberba série, inspirada nas histórias contadas por Xerazade e em factos ocorridos no Portugal dos anos 2013 e 2014 – um país então submetido a uma política que negava toda a justiça social –, irá dar o tom à programação deste ano“, escreveu o director desta secção de Cannes, Susana.

Gomes é até um repetente da Quinzena dos Realizadores, já que “Aquele Querido Mês de Agosto” foi exibido nesta secção em 2008. De resto, este ano foi rico na presença portuguesa em Cannes, já que foi o mesmo em que precisamente o Mestre Oliveira recebeu a Palma de Ouro de carreira.
(“As Mil e uma Noites” vão ter estreia comercial nos cinemas nacionais em Setembro, com cada um dos três filmes a ser exibido por separado e em alturas diferentes).

Mais. Acaba de ser confirmado que “Provas, Exorcismo”, de Susana Nobre, também vai ser exibido na Quinzena dos Realizadores. Também presente numa secção paralela, o ACID, está João Pedro Plácido com o documentário que ganhou o último DocLisboa, “Volta à Terra”.

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(Texto: Rita Tristany Barregão para o Portugalize.Me)