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Portugalize.Me_30minutos

Escrevo cheia de maus fígados.

Quando se paga um serviço, parece-me justa a perspectiva de um rápido e bom atendimento mas, infelizmente em Portugal, nem sempre é assim.

A história soa a comum e começa com as horas.

Marcação de peritagem de uma companhia de seguros. Criatura ao telefone diz: “…o colega estará às 9h em sua casa”. Perfeito para quem trabalha, dá tempo, há margem.

Espera do técnico da peritagem. Batem as 9h, as 9h15, as 9h30.

Telefona-se para as criaturas da companhia de seguros. Fala-se com criatura nº. 1, criatura nº. 2, nº. 3, nº.4 terminando na criatura nº. 5 que diz: “… mas a colega não lhe disse que havia uma margem de 30 minutos?”… lamento, mas a colega não disse nada disso, a colega foi clara, 9h e quanto à tolerância, a mesma já passou, como tal, nem a tolerância vos vale… criatura nº. 5 sai de linha, tenta perceber o que se passou, esforça-se, palmas para ela. Regressa com a mesma voz melosa: “… as nossas desculpas, o colega está quase a chegar, 5 ou 10 minutos.”

Beijos, abraços e obrigada pelo bom serviço, pela espera, pelas 5 vozes que ouvi hoje, pela forma como esclarecida e descaradamente mostraram a vossa falta de competência, o desperdício de tempo, a quantidade de ecos de uma longa e inútil cadeia de montagem.

Agradeço em especial a tolerância. Ridículo por serem eles a dar essa tolerância. Não me lembro de ter acordado em momento algum na permissão dessa tolerância. Tolerância para quê? Para um café, para encontrar a casa? Para passear o cão? Para lamber os dedos e folhear a Dica da Semana? O cliente a ver-se obrigado a ser tolerante. Tolerância imposta, é parte do serviço, de muitos serviços, é um mau hábito, é vergonhoso, ineficiente.

Caras criaturas, na altura de pagar a apólice do meu seguro, agradeço que levem em consideração uma tolerância de uns dias ou de uns meses, é que pode não dar jeito a data que acordamos. Vocês percebem certo?

(Imagem e Texto: Raquel Félix/ Portugalize.Me)