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Mudanças

26 Novembro, 2012 — 1 Comment

Portugalize.Me_Ana Isabel ramos_lotaria portuguesa

O Portugalize.me mudou. Viram que o Público online também mudou? E a Lotaria à Portuguesa? Ouviram falar do concurso que a Santa Casa promoveu para ilustrações para a extracção de 16 de Abril do ano que vem?* Parece que até a lotaria quer mudar.

O mundo é feito de mudanças, algumas melhores, outras piores. Mas o certo, certinho, é que nós nos adaptamos a todas, mais cedo ou mais tarde.

O ser humano tem essa característica, a da adaptabilidade. Se assim não fosse, hoje não teríamos um polegar oponível e a capacidade de agarrar as coisas com dois dedos (um deles, lá está, o polegar). Não teríamos capacidade de criar, quanto mais de usar, a tecnologia que nos rodeia (olá via verde! Multibanco, que bom saber que posso comprar bilhetes de comboio nas tuas caixas automáticas).

Curiosamente, o ser humano também se defende bastante das mudanças. Resiste-lhes, luta. Às vezes, com razão – para quê abater árvores para fazer mais uma estrada? Outras vezes, porque é essa a natureza humana.

Dei comigo a pensar nisso esta semana, enquanto bordava a minha proposta para o concurso da Lotaria e pensava nos textos que escrevo, ainda resistente ao Novo Acordo Ortográfico. Não sou excepção (notem o “p”), também resisto à mudança. Se, por um lado, gosto de revisitar as nossas tradições – poderão ver que a minha proposta é bordada – por outro, sou apenas humana e resisto. Ainda escrevo colecção com três cês e, apesar de dizer “espetacular”, escrevo espectacular. Estranho, não é?

Será que todas estes ventos de mudança no nosso país vêm para ficar? Alguns há que são bons: gosto de ver que há mais hortas urbanas, por exemplo. Os meus primos cuidam de um talhão em Évora e contam as suas aventuras no blogue familiar. Vejo também que a mentalidade queixosa e passiva que nos caracteriza enquanto grupo, usando um “eles” indiscriminado para assentar culpas ou reclamar subsídios, também se vai esbatendo. E tudo isso é bom, e é nessas coisas, talvez pequenas, mas grandes, que temos de agarrar.

Enchamo-nos de coragem para todas as mudanças que aí vêm, porque sempre hão-de vir mudanças, quer seja num país em crise, ou numa família em franca prosperidade. A mudança, como dizia o poeta, é a “constante da vida”, e é assim que temos que seguir em frente, sem medo. A vida continua, dia após dia, com mais ou menos dinheiro, com mais ou menos saúde.

Portugal é o que fazemos dele: descubramo-lo de novo, independentemente de quem se senta no topo da pirâmide. Vivamo-lo intensamente, aproveitemos as coisas boas do dia-a-dia.

E por hoje é isto.

P.S. Parabéns ao Portugalize.me, que nasceu há pouco tempo, já nos conquistou a todos e agora muda de cara.

(Texto: Ana Isabel Ramos)

*Para saber mais, visitem o site www.lotariaaportuguesa.pt